Por que você sai de certas conversas mais cansada do que entrou

Robertha DutraRobertha DutraRadiestesia NeuroVibracional

Ela agradece, olha o relógio e vai embora com o passo mais leve do que quando chegou. Foram vinte minutos no corredor: o divórcio que não sai do lugar, o chefe, a mãe que voltou para o hospital. Você escutou, fez as perguntas certas, disse o que dava para dizer.

Você volta para a sua mesa e não consegue retomar o que estava fazendo. Às sete da noite, enquanto você corta cebola, o assunto ainda está na sua cabeça. E não é o seu assunto. É o dela.

Se isso te soa familiar, você provavelmente já tentou explicar para alguém e desistiu no meio, porque, dito em voz alta, aquilo soa pequeno. “Eu só conversei com uma pessoa.” Pois é. E mesmo assim a conta não fecha.

Vinte minutos de conversa, oito horas de eco

Repare no formato dessas situações. Elas são curtas e datadas. Não são um mal-estar difuso, são cenas com hora marcada.

A reunião de quarenta minutos em que você quase não falou e da qual saiu com dor de cabeça. O almoço de domingo em que ninguém brigou, todo mundo foi educado, e você chegou em casa às quatro da tarde e dormiu. A ligação de dezoito minutos com aquela pessoa da família, sempre a mesma, depois da qual você fica olhando para a parede.

Nenhuma dessas cenas tem esforço físico. Nenhuma tem conflito. Em quase todas, quem falou foi a outra pessoa. E o cansaço que sobrou é seu.

É mais ou menos aí que costuma entrar a explicação mais fácil: que o problema é você, que você é sensível demais, que se envolve demais, que não sabe se desligar. Também é a mais injusta.

O que sobra depois não é fraqueza sua

Na radiologia, que é de onde eu venho, existe um passo que vem antes de qualquer conclusão: separar o que é estrutura da pessoa do que é sombra de outra coisa projetada em cima. Quem não separa, trata a sombra.

Vale para o cansaço. Nem todo peso que você carrega é seu, e chamar de fraqueza aquilo que é carga transportada só faz você se esforçar mais no lugar errado.

A mulher que se cobra por “não conseguir se desligar” costuma ser exatamente aquela que se desliga bem do que é dela. Ela dorme depois de um dia duro de verdade. O que não sai da cabeça é o assunto que ela nem escolheu ouvir.

Não é com todo mundo, e esse é o dado mais útil que você tem

Isso não acontece com todas as pessoas nem em todos os lugares. Tem gente com quem você conversa duas horas e sai inteira. Tem conversa de cinco minutos que te deixa fora do ar até a noite.

Se fosse uma característica sua, seria constante. Não é. É seletivo. E coisa seletiva tem padrão. Padrão se observa, e o que se observa deixa de passar por sorte ou por defeito de fábrica.

Existem três cansaços, e dois deles não são comigo

Existe cansaço que é do médico. Anemia, tireoide, apneia do sono, dor crônica: isso se investiga com exame, e exame é assunto de profissional de saúde. Existe cansaço que é do psicólogo. Luto, sobrecarga mental, ansiedade, um relacionamento que adoece, um emprego que consome: isso se cuida em terapia.

E existe um terceiro, que é o peso que fica depois do contato com pessoas e ambientes específicos. Esse terceiro não explica os dois primeiros e não substitui nenhum dos dois. A radiestesia, que é o que eu faço, é prática complementar: ela caminha ao lado do médico e do psicólogo, nunca no lugar. Quem separa cansaço clínico de cansaço emocional é um profissional de saúde. Se você está exausta há meses, esse é o primeiro endereço, não o último.

Eu não meço doença, não interpreto exame e não opino sobre tratamento médico. Não é competência minha.

O teste de uma semana: papel, hora e duas notas

Isto aqui você faz sozinha, com papel e sem instrumento nenhum.

Durante sete dias, observe os encontros que já estão na sua agenda: reuniões, almoços, ligações previsíveis, a visita de domingo. Não crie encontro nenhum para testar. Use o que a semana já tem.

Para cada um, anote quatro coisas, em uma linha, no bloco de notas do celular:

  • a data, com quem foi e quanto tempo durou;
  • de 0 a 10, como você está dez minutos antes;
  • de 0 a 10, como você está trinta minutos depois;
  • o que ainda estava na sua cabeça três horas depois, em três palavras.

Escreva a nota de antes, antes. Se você preencher as duas no fim do dia, a memória arruma a história e o exercício perde a serventia.

No sétimo dia, olhe a lista inteira de uma vez só. Você não está procurando um número alto. Você está procurando repetição. São três perguntas:

A queda aparece com pessoas específicas ou com qualquer pessoa? Aparece em lugares específicos (uma sala, uma casa, um horário) ou em qualquer lugar? Aparece nas conversas em que você falou ou nas em que você só escutou?

Se a queda vier com todo mundo, em todo lugar, sem exceção, o assunto provavelmente não é seletivo, e a agenda que precisa de revisão é a de saúde. Se ela aparecer com três pessoas e sumir com o resto, você saiu da sensação e entrou na medida.

O que essa anotação não faz

Essa anotação não diz que alguém tem má intenção com você. Quem drena raramente está fazendo por mal, e boa parte das vezes está pedindo socorro do único jeito que aprendeu.

Ela também não te obriga a cortar ninguém. Saber com quem acontece já muda o que vem depois: quando você marca o encontro, quanto tempo fica, o que você faz nos trinta minutos seguintes e o que você para de exigir de si mesma naquele dia.

E ela não explica de onde isso vem. Causa se afirma depois de medir, nunca antes. O meu ofício começa por medir e registrar, com data e com escala, e não por adivinhar.

Uma semana de anotação te dá mais informação sobre o seu cansaço do que meses tentando adivinhar de olhos fechados. E, ao contrário do palpite, a anotação fica escrita: com data, com nome e com número. Da próxima vez que você sair de uma sala com aquele vazio por dentro, você vai ter onde conferir se aquilo é novidade ou se é a terceira vez no mês.

Se quiser fazer esse levantamento no papel, com um exercício por dia, eu montei um caderno de sete dias que faz exatamente isso, e ele é gratuito: Mapa do Meu Campo.

A Radiestesia é uma prática complementar. Não substitui acompanhamento médico ou psicológico.

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