Radiestesia não é religião, não é simpatia, e não pede que você acredite em nada
Um cliente meu resumiu o começo dele numa frase que eu guardo: “fiquei bem cético com relação ao tema, até por falta de conhecimento”.
Reparo em duas coisas ali. A primeira é que ele não pediu desculpa por ter desconfiado. A segunda é que ele nomeou o motivo com precisão. Falta de conhecimento, não falta de fé.
São essas as duas dúvidas que chegam antes de todas as outras quando alguém me procura. Uma é “isso funciona mesmo?”. A outra quase nunca é dita em voz alta: “isso vai contra a minha religião?”. Enquanto elas ficarem em pé, nenhuma outra conversa acontece.
A palavra foi criada por um padre, e isso é história, não fiança
A palavra radiestesia foi cunhada no começo do século XX por um padre francês, o abade Alexis Bouly. Mais de cem anos atrás.
Isso é a origem do termo, e nada além disso. Usar a biografia de um homem morto há décadas como fiança de uma prática é continuar pedindo que você acredite em alguma coisa, só que agora numa coisa mais distante e mais difícil de conferir.
O que a origem mostra é outra coisa, e essa sim é útil. A radiestesia nasceu como método de leitura, num contexto em que a preocupação era medir, anotar e conferir depois. Ela não nasceu como culto. Não tem templo, não tem doutrina, não tem obrigação, não tem calendário e não tem entidade.
O que não acontece num atendimento meu
Na leitura que eu faço, não existe invocação. Nenhum nome é chamado, nenhuma entidade é convocada, nenhuma oferenda é feita, nenhum pedido é dirigido a lugar nenhum.
Não existe reza minha embutida no atendimento e não existe reza sua exigida como condição de nada. Você não precisa aderir a coisa alguma, não precisa mudar de opinião sobre nada e não precisa contar isso à sua família se não quiser.
Quem é católica continua católica. Quem é evangélica continua evangélica. Quem é espírita, quem é de matriz africana, quem é judia, quem é budista e quem não é nada disso continuam exatamente onde estavam. A sua fé não é insumo do que eu faço, e é por isso que ela não é mexida. Se ela fosse insumo, você teria toda razão em desconfiar.
O que acontece na leitura é literalmente isto: eu meço, registro, comparo e devolvo por escrito.
Simpatia e leitura são estruturas diferentes
Simpatia é gesto com receita. Faça isto, nesta ordem, neste dia, e espere aquilo acontecer. Não tenho nada a dizer contra quem tem as suas.
A diferença que interessa para você não é de valor, é de estrutura. Uma receita de gesto não deixa nada para trás. Não sobra número, não sobra data, não sobra registro. Se melhorou, você atribui. Se não melhorou, você atribui também. Você fica com a sua impressão do momento como única fonte, e impressão do momento muda conforme a semana que você teve.
O que eu faço é o oposto disso na forma: eu não prescrevo gesto, eu levanto medida.
Desconfiar é a postura correta
Você não precisa acreditar em nada. E se a sua vontade for desconfiar, desconfie. Desconfiar é a postura correta diante de qualquer coisa que você ainda não tem como conferir. Eu faria igual.
O problema nunca foi a desconfiança. O problema é quando ela é a sua única ferramenta, porque aí sobram duas saídas ruins: aceitar por fé ou recusar por precaução. Nenhuma das duas ensina nada sobre você.
O que dissolve isso não é convencimento. É ter com o que comparar.
O que entra no lugar da fé é registro com data
Minha formação anterior é clínica. Vim da Odontologia, com a maior parte das especializações em radiologia, e o meu ofício era olhar uma imagem e dizer o que estava ali. Depois olhar a imagem seguinte e dizer o que tinha mudado.
Nada daquilo funcionava sem duas leituras e uma data entre elas. A imagem sozinha não diz quase nada. O que fala é a comparação.
Levei essa mesma exigência para a Radiestesia NeuroVibracional. Aqui a medição tem escala: os valores ficam em Hz, levantados com biômetro e com gráficos, e fica tudo anotado por escrito, com data. Não é papel por gosto de papel. É porque medida sem registro deixa de ser medida e vira só uma coisa que alguém diz ter visto.
Com isso, a pergunta “funciona?” muda de forma. Ela deixa de ser uma questão de crença e vira uma questão de comparação: o que foi medido em determinado dia, o que foi medido depois, e o que aconteceu na sua vida entre uma leitura e a outra.
Você continua livre para olhar tudo isso e concluir que não funcionou para você. Só que aí conclui com material na mão, e não pelo humor da terça-feira.
O que eu não meço
O inverso também precisa ser dito.
Eu não leio futuro. O que ainda não aconteceu não é grandeza mensurável, e eu não vou inventar uma medida disso só para impressionar você.
Também não decido nada no seu lugar, e não prometo que a vida vira do avesso. O que eu faço tem um escopo estreito e declarado: eu separo o que é seu do que você só absorveu, e mostro a você onde estava cada coisa quando eu medi.
O primeiro registro você monta sozinha, hoje
Diante de qualquer prática, minha ou de quem for, o que decide não é o quanto você acredita, e sim se sobra alguma coisa registrada para conferir depois. Quando não sobra nada, continuar ou parar vira função de como você acordou naquele dia, e dá para decidir com mais material do que isso.
Você pode começar a montar essa base hoje mesmo, sozinha. Escolha uma coisa que anda pesando, escreva numa folha como ela está hoje, com a data, e guarde. Daqui a alguns dias, leia de novo antes de opinar sobre o que mudou. É pouco, e já é mais registro do que a maioria das pessoas tem sobre a própria vida.
O Mapa do Meu Campo é um caderno gratuito de sete dias, um exercício por dia, e organiza no papel esse mesmo registro.
A Radiestesia é uma prática complementar. Não substitui acompanhamento médico ou psicológico.
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