Por que todo atendimento meu termina com tudo registrado por escrito

Robertha DutraRobertha DutraRadiestesia NeuroVibracional

Existe uma pergunta que quase ninguém faz logo de cara e que vem sempre, mais para o fim da conversa: e o que é que fica comigo quando isso acabar?

Fica tudo por escrito. As medições em PDF, com data, o que foi encontrado, o que foi ajustado, e um áudio na minha voz explicando cada número. Esse registro é a razão de o resto ter sentido.

Quinze anos lendo exame me ensinaram a desconfiar da memória

Antes da radiestesia eu passei quinze anos na Odontologia, com três especializações, a maior parte delas em radiologia. Meu ofício era olhar uma imagem e dizer o que estava ali. Não o que parecia estar, não o que a pessoa esperava ouvir: o que estava.

Radiologia ensina uma coisa que eu trouxe inteira para cá. Quem tem duas imagens da mesma boca, com meses de diferença entre uma e outra, sabe o que mudou. Quem só se lembra de como estava não sabe.

Isso não é falha de ninguém. Memória não guarda medida, guarda clima. Ela guarda o dia em que você estava bem e apaga as semanas mornas que vieram antes. Depois de um tempo você já não consegue dizer se melhorou de verdade ou se apenas teve uma semana boa. Memória é o pior instrumento de medida que existe, e é justamente o instrumento que quase todo mundo usa para decidir se valeu a pena.

O que não fica registrado, na prática, não aconteceu. Não porque não tenha acontecido, mas porque ninguém consegue provar para si mesma, meses depois, que aconteceu.

“Confia na energia” é exatamente o que eu não peço

Existe um jeito de fazer as coisas nessa área que se apoia inteiro na palavra de quem atende. A pessoa diz que sentiu, diz que limpou, diz que estava pesado e agora está leve. Você sai sem nada na mão. Se daqui a dois meses você quiser conferir, os únicos lugares onde procurar são a lembrança dela e a sua.

O registro escrito existe para tirar isso do caminho. Ele serve para você conferir sozinha, depois, sem depender da palavra de ninguém, inclusive da minha. Se eu registrei um número num ponto em março e você abre o PDF em julho, não precisa acreditar em mim para saber o que eu disse naquele dia. Está escrito, com a data em cima.

Esse registro muda quem manda na relação. Quando a medida está no papel, ela é sua. Você pode discordar, pode comparar, pode concluir que não mudou nada. E pode fazer isso olhando para o que ficou escrito, não na base do “acho que eu estava pior”.

Quatro coisas que um registro precisa ter para ser conferível depois

Isso vale para o que sai da minha mão e para o que sai da mão de qualquer outra pessoa dessa área. Não é um texto bonito sobre você. É registro de medição, e registro de medição só presta se der para conferir depois.

Precisa ter a medida, e não o adjetivo. O número aferido, o instrumento usado (no meu caso, o biômetro e os gráficos, na escala em Hz) e a data em cima. “Estava pesado” não é medida. Um número num dia é.

Precisa dizer o que foi encontrado e o que foi feito, ponto por ponto, na ordem em que aconteceram. Sem isso sobra um resultado sem histórico, e resultado sem histórico não se compara com coisa nenhuma.

Precisa vir traduzido. Número sozinho não explica nada para quem nunca viu aquela escala antes. Boa parte de quem me procura nunca fez nada parecido na vida e chega dizendo “eu não sei nem do que se trata”. Por isso eu gravo um áudio, na minha voz, percorrendo o PDF junto.

E precisa ficar com você, não comigo. Se o registro mora no meu arquivo e você depende de me pedir para ver, ele não é seu.

Promessa, percepção e memória: o que cada uma vira

Cabe em três linhas:

  • Promessa vira medição.
  • Percepção vira comparação.
  • Memória vira registro.

Promessa é o que alguém garante que vai acontecer. Medição é um número aferido num dia, que pode ser confrontado com o número de outro dia. Percepção é o que eu senti durante o atendimento. Comparação é o que dá para verificar entre duas medidas da mesma coisa, feitas com o mesmo instrumento. Memória é o que sobra na sua cabeça depois. Registro é o que continua idêntico mesmo quando a lembrança já se acomodou.

Nenhuma dessas trocas transforma radiestesia em ciência exata. O que elas fazem é te dar material para conferir, em vez de te pedir fé.

O que esse registro não é

O que eu entrego não é documento de saúde. Não serve para levar ao consultório médico, não se soma a exame, não conclui nada sobre o seu corpo e não substitui nada que um profissional de saúde faça. O registro descreve medições de campo, feitas por mim, com os instrumentos da radiestesia, e vale para dentro desse limite.

Tem gente nessa área que nomeia esse tipo de registro pegando emprestada alguma palavra de consultório. Aquilo não é peça técnica de área nenhuma da saúde, e um nome de consultório descreveria errado o que a coisa é. Fico com a palavra crua: fica tudo registrado por escrito, com data.

Também não meço prazo. Não existe número no PDF que diga em quanto tempo alguma coisa vai mudar, e quando me perguntam isso eu digo que não sei.

Dá para começar a medir sozinha hoje, com um caderno e uma nota

Registro que não dá para conferir depois não é registro, é lembrança com aparência de documento. Sem medida, sem instrumento e sem data, nenhum papel vai te servir de nada daqui a seis meses, por mais bonito que seja o texto. A régua é a mesma para qualquer coisa que alguém te entregue no fim de um atendimento.

Sensação é outra coisa, e é legítima: eu ouvi, em anos de consultório, gente descrever dor sem conseguir apontar onde. Mas sensação não é conferível, e daqui a alguns meses ela já terá virado outra coisa na sua cabeça.

E se você já fez alguma coisa antes e não sabe dizer se ajudou, muitas vezes não é porque não ajudou. É porque ninguém anotou. Escolha a coisa que mais te incomoda, dê uma nota de 0 a 10 para ela, escreva a data ao lado num caderno e guarde. Daqui a um tempo, quando bater a vontade de conferir, dê a nota de novo antes de reler a primeira. A diferença entre as duas notas vai te dizer o que a sua memória sozinha não diz.

No meu caso, esse registro com medida, instrumento e data é o que fica na mão de quem faz uma leitura completa do campo.

A Radiestesia é uma prática complementar. Não substitui acompanhamento médico ou psicológico.

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