O que dá para medir num campo (e o que não dá)

Robertha DutraRobertha DutraRadiestesia NeuroVibracional

Antes de falar do que eu meço, é mais útil dizer o que não dá para medir num campo. É nessa fronteira que a promessa grande se apoia, e é aí que ela cai.

Quem me escreve costuma chegar sem vocabulário nenhum para o assunto, pedindo “me conta do zero”. Começar pelo limite é o caminho mais curto: quando se sabe onde a medida termina, o resto fica fácil de entender.

Um número em Hz é uma régua de comparação, não uma nota

Nas minhas medições eu registro valores em Hz, com biômetro e com gráficos. Não é invenção recente: a prática de anotar em escala o que se mede tem mais de cem anos de história.

O que esse número é, na prática: uma referência de comparação entre duas medições da mesma pessoa, feitas com o mesmo instrumento e por quem mediu da primeira vez. Ele existe para responder a uma pergunta só: mudou, e para que lado.

Preciso ser dura sobre o que esse número não é, porque é aí que a promessa grande mais escorrega. Não é nota de valor humano. Não existe gente de Hz alto e gente de Hz baixo do mesmo jeito que existe gente alta e gente baixa. E não é exame clínico. Não tem faixa de referência populacional, não tem laboratório por trás, não diz o que você tem nem o que você deveria tomar.

Ele também não aponta causa sozinho. O número mostra que alguma coisa está diferente hoje em relação a antes. Por que está diferente é outra conversa, e essa conversa se faz olhando o conjunto, não o número solto.

Alguém que me procurou escreveu que tinha ficado “bem cético com relação ao tema, até por falta de conhecimento”. Acho essa frase saudável. Ceticismo diante de um número que ninguém explica é a reação correta. O que resolve não é fé, é a pessoa que mede te dizer exatamente o que aquela escala compara e o que ela não compara.

O que eu não meço, e a lista é longa de propósito

Não meço tempo. Não existe medição que diga quantas semanas alguma coisa vai levar para se acomodar. Quem dá prazo está oferecendo previsão, não medida. Eu não dou prazo.

Não meço se um relacionamento vai dar certo. Posso medir como você está agora, não o desfecho de uma história que envolve outra pessoa, escolhas dela e circunstâncias que ninguém controla. Futuro não é grandeza mensurável.

Não meço doença. Isso não é modéstia, é ofício. A radiestesia é prática complementar, e complementar quer dizer que ela anda ao lado do cuidado de saúde, nunca no lugar dele. Parte do que eu faço é reconhecer quando a queixa que chegou até mim tem endereço clínico, e dizer isso em voz alta em vez de medir. Se o que você está descrevendo pede exame, pede exame. Eu não interrompo tratamento de ninguém, não opino sobre conduta clínica e não substituo consulta.

Medir alguém que não pediu não é medição, é invasão

Não meço o que outra pessoa sente sem que ela peça. Chega gente querendo saber do marido, do filho adulto, do chefe, da sogra. Não faço. Medir alguém que não pediu para ser medido é invadir, e não vira informação útil para ninguém, nem para quem pergunta.

E ainda: não meço culpa. Não existe leitura que diga que você fez por merecer, que você atraiu, que faltou fé ou que faltou disciplina. Se um número for usado para te responsabilizar pelo que te aconteceu, não é medida, é sermão.

Por que medir antes de mexer muda tudo o que vem depois

Medir é o primeiro dos quatro movimentos da Radiestesia NeuroVibracional, e ele abre a sequência por um motivo prático, não por estilo.

Sem marco zero não existe comparação. E sem comparação, a única coisa que sobra para avaliar se algo mudou é a memória, que é o pior instrumento de medida que existe.

A memória não é neutra: ela é reescrita pela semana em que você está. Numa segunda-feira difícil, os últimos dois meses inteiros parecem ruins. Numa sexta boa, você jura que já estava tudo bem antes. Por isso é comum sair de um atendimento sem saber dizer se melhorou, e é comum concluir que nada mudou quando ninguém registrou o começo.

Eu venho da radiologia, e lá comparar é regra de ofício antes de ser opinião. A imagem sozinha decide pouco. Quem decide é a comparação entre a imagem de antes e a de agora, com data nas duas. Foi essa formação de olhar que eu trouxe para a radiestesia: eu meço antes de mexer, registro por escrito, e volto a medir depois.

Isso muda a relação inteira. Quando existe marco zero, você deixa de depender da opinião de quem te atende sobre o seu progresso, e da sua própria também. Existe um antes anotado, com data, e ele não muda de humor.

Como montar o seu marco zero sozinha, hoje

Pegue uma folha e escreva a data de hoje no alto. Depois, quatro linhas, uma para cada campo que costuma pesar: sono, foco, corpo e a área da vida que anda consumindo todas as outras. Em cada linha, uma nota de 0 a 10 e uma frase curta dizendo o que aquela nota significa nesta semana. Não escreva o que você gostaria que fosse. Escreva o que foi.

Acrescente três fatos verificáveis dos últimos sete dias, coisas que não dependem de interpretação: em quantas noites você acordou de madrugada, quantas vezes cancelou algo que queria fazer, quantas manhãs começaram com a sensação de já estar atrasada. Fato tem a vantagem de não envelhecer com o humor.

Guarde a folha dobrada e não releia. Nada de conferir toda semana, porque conferir contamina a lembrança. Você só volta a ela quando alguma coisa parecer diferente, seja lá quando for. Aí você lê, compara e descobre se mudou de verdade ou se foi só uma semana boa. As duas respostas são valiosas, e as duas são impossíveis sem a folha.

Se você fizer só isso e mais nada, já ganha uma coisa que quase ninguém tem: um ponto fixo. Toda conversa sobre energia melhora quando existe um ponto fixo, porque aí a pergunta deixa de ser “você acha que estou melhor?” e passa a ser “em relação a que, e quanto”.

Uma leitura completa do campo é esse mesmo ponto de partida, só que levantado com instrumento e entregue por escrito, com data, para poder ser comparado depois.

A Radiestesia é uma prática complementar. Não substitui acompanhamento médico ou psicológico.

←  Todos os artigos
Dúvidas?Respondemos das 8h às 21hRespondemos das 8h às 21h